CONTINUAÇÃO...

__O que quer de mim?

            __Faça seu trabalho.__ordenou.

            O raptor estava sentado a frente de Solaris e esperava ser atendido.

            __Você não marcou hora!

            Dizendo isso Solaris lançou as cartas a sua frente onde sabia esta seu raptor. As cartas voaram pela mesa e caiam ao chão. A tapa veio como única resposta e atingiu a face de Solaris com força. Enquanto soluçava, o ouvia recolher as cartas uma a uma e reorganizá-las. Finalmente a mão masculina pesada caiu sobre a sua delicada, frágil e a fez novamente tocar as cartas.

            A visão a sacudiu levemente e o raptor surgiu dentro de sua mente agora aberta.

            Fernão esperou até que o último cliente saísse e apareceu. Foi recebido pela recepcionista, deu alguns dados falsos, que foram anotados em uma ficha e logo ele entrou na saleta para ser atendido. Solaris o recebeu e de imediato viu suas mentiras. Passou-lhe o baralho, leu a sua sorte. Ele não gostou, foi agressivo e por fim saiu sem pagar. Solaris não ligou, não queria o dinheiro de um assassino. Seus atos de violência ainda ardiam em sua mente, o rosto de suas vitimas o modo brutal, e lento que as matava, o ritual de preparação que estabelecia, como as tocava... Correu para o banheiro e vomitou nervosa, enojada coma s cenas de violência que tomaram sua mente.

Fechou o consultório, subiu as escadas, morava no segundo andar. Tomou um banho longo, tentava libertar a mente das visões, comeu, viu tv e deitou para dormir. Lembra de sentir uma pressão forte sobre o rosto, e a escuridão. O lenço cheio de clorofórmio queimou seu nariz, ressecou sua garganta. A cela, a venda e a certeza da morte anunciada. Soltou sua mão e suspirou aflita, recebendo o baralho.  Podia vê-lo agora, a venda pouco importava, mas ele não sabia disso. Fernão sorriu vitorioso ao vê-la mover as cartas, obediente, pronta a trabalhar. O rosto estava roxo, a boca sangrava, as lágrimas umedeciam a face sob a venda. Achou-a linda em seu desejo doentio, onde somente uma mulher ferida, amedrontada, aterrorizada, trazia-lhe excitação. Conteve-se, precisava manter aquela sensação por mais tempo, ou tudo estaria estragado, segundo seus padrões doentios, psicóticos de prazer.

            __Corte o baralho.__Solaris pediu suave.

            __Sabe, sempre que escuto uma “vidente” dizer isso, sinto vontade de cortar as cartas.__murmurou acessível, conversável, estava à-vontade, senhor da situação.

:: Postado por Nazarethe Fonseca �s 19h21
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ankh

                                               

CONTINUAÇÃO...

            __Escolha três cartas...__Solaris disse tentando manter a voz firme.

            __Conheço o procedimento.__afirmou seco com o profissionalismo de Solaris.

            Passou-lhe a carta e esperou que ela as organizasse uma a uma. Seus dedos brancos se moviam sobre as figuras medievais do baralho de Marselha, e o que Fernão viu foi uma repetição antiga de figuras, que o perseguiam há vários anos. A morte, a roda da fortuna, os enamorados, o enforcado e a torre. Tais cartas sempre surgiam numa ordem igual, passado presente, futuro. Solaris estava em silêncio, os dedos pairando sobre as cartas, a eletricidade delas fazendo a ponta dos dedos formigar...Quase as levanta do tampo da mesa.

            __Fale!Leia minha sorte__gritou, esmurrando a mesa e tirando Solaris de seu transe.

            __A carta da morte...Você é um emissário da morte, um matador. Ela o tocou há muitos anos...__as visões a tomavam como antes.__Um assassino...__a voz tremeu.__via a navalha cortando o ar, os corpos das mulheres que matava.__É um homem de posses, posição, mas jamais se satisfaz... Somente quando mata. E como mata.__Solaris podia ouvir a respiração ofegante de Fernão, sentir seu ódio.__A torre...

            __Pulou uma carta, porque?!

            __Eu...

            __Responde!__Fernão estava furioso e avançou sobre Solaris, a fez tocar a carta, enquanto apertava seus dedos com força.__Esta tentando me enganar?!

            __Pare! Me solte!__Solaris gritou infeliz.

            __Leia minha sorte!__exigiu apertando seu rosto. E por fim a beijou.

            Um beijo repugnante, feroz, rude, que a fez se debater na cadeira e gritar. Fernão a soltou, livre, Solaris arquejou e tentou manter o controle, havia se descontrolado. Precisava ficar lúcida, fria.

            __Vamos, leia minha sorte.__murmurou, pegando a carta e pondo sobre a mesa, próximo aos dedos de Solaris.

:: Postado por Nazarethe Fonseca �s 19h16
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ankh

 

CONTINUAÇÃO...

__O enforcado...__começou.__Morte para o assassino, derrocada, a torre surge prenunciando o fim de seu império.

            __Mentiras! Mentiras de uma vagabunda!

            Fernão avançou e segurou Solaris pela cabeleira, enquanto ela gemia em dores. O assassino havia perdido o controle.

            __Muitas “videntes” já disseram o mesmo, e todas estão erradas. Todas! Ele desamarrava Solaris impaciente, violento.__Matei duas delas, eram velhas, feias, mas você é linda. __soltou, se deleitando com a visão da fragilidade da mulher sob seu poder e força. E por fim lambeu seu rosto, as lagrimas.

            Solaris gritou e se debateu enlouquecida. Seu cabelo claro encantava Fernão, a face pálida, o corpo delicado com curvas na medida certa. Solaris estava desamarrada, mas presa pelas mãos de Fernão, que mais alto, e forte, a continha com facilidade. Os pulsos delicados estavam feridos, o corpo dolorido pela luta. Mas ainda tentava fugir o divertindo. Quando foi posta sobre o catre imaginou o que viria e se preparou. Fernão ergueu o camisolão e puxou a roupa intima de Solaris. Ele tentou chuta-lo e foi pressionada contra o catre, o ar quase fugiu de seus pulmões. Arquejou e ouviu a fivela do cinto de Fernão se abrir. Ele estava sobre ela quando resolveu por seu plano em pratica.

            __Preciso ver você, seu rosto...__arquejou numa suplica que não podia ser ignorada.

            __Calada!__rugiu apertando seu rosto.

            __Preciso vê-lo...Fernão...deixe-me vê-lo.__ela insistia, enquanto tocava seu rosto de modo a tentar reconhece-lo.

            Fernão recuou infeliz, a excitação diminuiu, mas não sumiu. A nova situação lhe trouxe algum gozo. Nenhuma das outras o desejou, quis vê-lo. Elas o temiam, repudiavam. Mas ele hesitava, nisso Solaris buscou sua mão e a guiou por sobre o ventre, os seios e por fim a venda. Fernão estava surpreso, alerta, satisfeito. E a desejou mais do que nunca! Percebeu que precisava ver o medo dentro de seus olhos para possuí-la, ou não conseguiria ir adiante. Desajeitado, desatou as fivelas e a libertou da venda. Solaris piscava e tentava focalizar seu rosto, tocou os olhos e gemeu diante da luz forte da cela de paredes esverdeadas, úmidas.

:: Postado por Nazarethe Fonseca �s 19h12
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ankh

CONTINUAÇÃO...

           E finalmente focalizou Fernão. Traços fortes, cabelos escuros, como os olhos cruéis, frios, pele alva, ninguém jamais poderia o supor um assassino. Solaris não tinha nenhuma expressão definida na face e isso agradou Fernão, que segurou seu rosto e a beijou, e não foi repudiado. A essa altura ele estava muito excitado, a puxou para si, Solaris não reagiu, o recebeu entre as pernas.

            Um grito de dor cortou a cela.

 Fernão tocou a garganta ferida, sentiu a ponta do ferro pontiagudo e se afastou, caiu ao chão, sem ar, sufocava em seu próprio sangue. Solaris correu para a porta vendo-o arrancar o pedaço de aço da clavícula ensangüentada. O ferrolho a deteve por minutos preciosos. Mas se moveu, a porta abriu! E a liberdade surgiu através do corredor pouco iluminado. Um minuto a mais e a mão de Fernão a alcançaria, detendo-a na cela. Uma sala pequena surgiu, estava numa espécie de subsolo. Podia ouvir os gritos de Fernão atrás de si. Duas portas surgiram, Solaris correu para a primeira, a segunda, ambas trancadas!

__Não!Não!

O desespero a tomou, finalmente topou, caiu no chão. Fernão surgiu pela porta, ele segurava um trapo sobre o ferimento e na outra mão a navalha. Buscou Solaris pela sala e falou engasgado:

            __Não tem para onde fugir.__falava andando pela sala buscando-a em meio aos galões plásticos, azuis.__As chaves da porta estão comigo!__seus olhos vagavam pela sala esgarçados.__Vagabunda...!__tossiu, cuspindo sangue.

            __Fernão.__Solaris chamou as suas costas.

            A lamina cortou o ar, a mão de Solaris sangrou, mas ela já havia agido. A corda estava sobre o pescoço de um Fernão surpreso. O empurrão de Solaris fez o resto. Ele sobrou. O alçapão de metal foi seu cadafalso, os canos de ferro no teto a forca perfeita. Fernão se debatia, a navalha caiu dentro da escuridão, enquanto ele tentava livrar-se do laço. O sangue inundava sua boca, os olhos reviram, enquanto soltava grunhido. Morreu sufocado pela corda e pelo sangue. Solaris observava a distância. Os movimentos aos poucos, assim como seus gemidos pararam. Fernão estava morto, dependurado numa corda. Solaris desceu as escadas desviando do corpo dependurado, no ultimo degrau viu a navalha caída brilhando dentro da escuridão. Caminhou pelo corredor escuro, e metro a frente encontrou a luz do sol. Levou a mão sobre os olhos e viu onde estava através de uma velha placa de metal enferrujada, que o vento balançava lamuriento.

            “__ Sistema de tratamento de águas, torre quatro”.

            Solaris se voltou e viu um enorme cilindro de metal, que mais parecia uma torre. Um arrepio de medo correu por sua espinha, enquanto se dirigia ao carro de Fernão a poucos metros da construção.

           

            __É o fim senhores.__Sabbath afirmou afastando-se do cristal.__Quem será o proximo? 

 CONTINUA NO PROXIMO SABADO....

:: Postado por Nazarethe Fonseca �s 19h11
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ankh

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Nazarethe Fonseca
Sou uma mulher, pois, assim o divino me destinou a ser. Estou em constante mudança, evolução e até mesmo sujeita a retroceder. Pois nesse corpo bate um coração, nessas veias corre sangue. E como um animal “consciente, falante, civilizado”, posso incorrer a enganos, atos impensados. Não me limitarei a dá qualidades, pois talvez somente eu as perceba. Citarei que acho mais obvio em minha natureza humana, feminina. Tento sempre ser positiva, otimista, sem parece hipócrita, amiga, segura, forte, persistente, grata, consciente, tolerante, paciente, sagaz, ter um propósito, ser movida pela fé, pela idéia de que a nossa volta existe algo mais que o vazio, o silencio ensurdecedor. Talvez isso não seja tudo, mas certamente é o que me ocorre a essa altura da vida. Pois nada pode ser perpetuo quando somos mortais.



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Andréa Cândido
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