O OLHO QUE TUDO VÊ

 

O ENCONTRO

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Horas depois estavam todos novamente na sala, sentados, mudos, perdidos dentro de suas lembranças e reflexões. Faltava pouco mais de uma hora para o amanhecer, aquela reunião havia sido estranha, confusa. Alguns trocando olhares de extremo carinho e desejo. Otto e Sabbath, no entanto pareciam metidos dentro de incerteza e pesar.

__De quem é a vez?__Lee quis saber sentindo o ânimo da líder do grupo.

__Minha.__Otto falou fazendo Sabbath o fitar de imediato.__Será minha ultima participação dentro do grupo, eu pretendo me afastar.

A revelação caiu como uma bomba no grupo que em vez de interrogações e negativas, mergulho no silencio de uma tumba gelada.

__Sabe que precisamos de um número exato de participante, o olho se recusara a prosseguir.__Sabbath falou firme, comandando a reunião apesar de todo seu desgosto.

__Existem outros é quase dia o “Olho” não sentira minha ausência.__foi tudo que disse.

Otto foi até o centro da sala e tocou o cristal, e esperou que todos os fizessem também. Um a um eles tocaram o cristal e retornaram aos seus lugares, mas não havia alegria, somente tristeza. Sabbath foi à última a se aproximar e ao tocar o cristal olhou Otto nos olhos, mas antes que se afastasse, ele a segurou pelo pulso delicadamente, pedindo que esperasse por um minuto. Otto puxou das vestes um pedaço de papel e passou as mãos de Sabbath e disse num murmúrio terno, amante:

__Amo-te minha senhora.

O abraço foi poderoso, forte e surpreendeu Sabbath, que se limitou a segurar os ombros de Otto. O beijo roubou-lhe o direito de objeção, de respiração e deixou-lhe somente uma alternativa, retribuição. Corações batiam agitados, e o mundo parecia pequeno, silencioso, calmo nada havia além de beijo. Otto a soltou lentamente e viu o quanto a abalara, mas estava decidido.

__Adeus a todos, deixo minha última historia com a nossa líder para que ela a leia por mim.__dizendo isso olhou a todos na sala e saiu sem que nenhum deles o pudesse deter.

__Sabbath?__Edgar chamou a vendo paralisada.__Sabbath, leia a historia.__insistiu percebendo que ela escondia uma lagrima com os dedos alvos.

            __Sim, claro.__dizendo isso desdobrou a carta e deixou sua voz se elevar na sala.

:: Postado por Nazarethe Fonseca �s 15h59
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ankh

“Deixo minha existência imortal levado pela solidão, pois tendo encontrado a felicidade não soube reconhece-la, de certo, minha alma metida por tantos séculos na escuridão, na morte acreditou ser uma ilusão, o amor vivido, recebido, como as muitas que já vivi. O amor parece-me sentença aos corações imortais e dádiva na vida daqueles que vivem tão pouco. Os observo em suas vidas por vezes mesquinhas, egoístas, altruístas e mesmo assim, percebo o quanto desejo ter o dom de morrer após longos e cansados anos de vida. Gostaria de sentir o sol sobre minha face novamente, afinal esqueci como se dá tal caricia após seiscentos anos. Quero tão pouco, sim, talvez um dia de sol e descanso, caminhar ao lado dela na praia descalço, receber o toque de seus cabelos em minha face levados pelo vento. Estender a mão e ter como certeza dentro do vazio sua mão. Sussurrar na escuridão do quarto seu nome e ouvir sua resposta manhosa, sonolenta.

Amo o meu algoz, pois ele trás a face da mulher que escolhi para amar. E se hoje ela me lança ao inferno de sua ausência, tem direito de faze-lo, a mentira é moeda de pouca valia. Dela fiz uso e perdi o paraíso que encontrei dentro de um mundo de loucos e sonhadores. Estou decidido, contemplarei sua face, beijarei seus lábios mesmo que a força e partirei desta existência sem sentido, inacabável. Talvez ela chore, sinta minha ausência, ou simplesmente encontre o alivio ao contemplar minhas cinzas, pois finalmente obteve sua vingança. Partirei sentindo-me mais homem do que imortal, pois como eles fui tolo, e de nada me valeu os poderes que possuo. Eles não me fizeram mais sábio, mais seguro, tudo que me deram foi à ilusão de que jamais sentiria dor.

 Dentro de sonhos sem fim sempre a vejo plena e serena, amante, exibindo a face do amor que agora guarda em lugar reservado, que oferece a outros e jamais a meu olhar suplicante, misero. Sou um fantasma diante de sua retina negra, fria. Resta-me pouco a fazer diante dela. Perco-me em pensamentos admirando-a a distancia, sonhando com dias que já se foram. E de lembranças boas e, más não mais viverei. A partida é eminente, certa como o sol que nascera em poucas horas. Prometo somente gritar seu nome quando o primeiro de seus raios tocar minha face, talvez isso me traga o sabor de seu beijo num ultimo instante de lucidez. As chamas saberão me dar a luz que perdi dentro de seu olhar.

Adeus Sabbath de seu eterno amante, Otto.”

:: Postado por Nazarethe Fonseca �s 15h55
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ankh

Nesse momento Sabbath buscou a janela, as cortinas, e com o olhar esgarçado pelo medo, pelo pranto que o inundou ao reproduzir as palavras de Otto, viu a manha surgindo no horizonte. Ninguém a pode deter, ainda com a carta nas mãos correu para o segundo andar e de lá para o telhado. A claridade chegava suave ameaçadora para ambos, mas Otto parecia tranqüilo, sereno, decidido.

__Otto?

__Vá embora Sabbath.__pediu suavemente.

__O que esta tentando provar com esse gesto estúpido.

__É o fim de minha historia Sabbath, deixe-me ir.__pediu sem forças, observando o céu, cada detalhe daquele último dia de sua imortalidade.

__Não seja ridículo! Isso não pode ser o fim.__argumentou nervosa, irritada.

__Porque não? O acho perfeito, eu desapareço levado pelo vento e você fica livre.

__Não quero ser livre, jamais desejei que desaparecesse, que suas cinzas sejam levadas pelo vento...

__Porque não?

__Preciso de você, o grupo...__tentou ainda orgulhosa.

__Adeus Sabbath, desça, logo poderá se ferir.__disse observando sua beleza tão contraria ao dia.__Você foi feita para brilhar dentro das sombras.__murmurou risonho.

__O que pensa que esta fazendo?__rugiu indignada, indecisa, preocupada com a claridade do céu enquanto o vento soprava seus cabelos.

__Nada. Só estou partindo.__falou, olhando o horizonte, as nuvens cada vez mais ralas, brancas.

Otto não demonstrava nenhum receio. Sabbath caminhou até a borda onde Otto se refugiou, ficou a sua frente decidida e estendeu a mão para falar corajosamente:

__Então vamos partir juntos.

Otto olhou a mão delicada de Sabbath, os olhos úmidos pelas lagrimas, o corpo tremulo de medo e desejo. A mão vigorosa segurou-a como se ela fosse um pássaro pequeno e frágil e a levou aos lábios. O beijo suave trouxe um estremecimento suave ao corpo de Sabbath, que se jogou nos braços de Otto. Trocaram um beijo longo, profundo dentro de uma manhã que prometia ser magnífica. Mas Otto e Sabbath não o viram, estavam ocupados demais entre os lençóis, celebrando seu amor, matando ferozmente a saudade, a distancia que impuseram aos seus corpos e corações movidos somente pelo orgulho, teimosia. Fecharam-se num dos quartos da mansão onde a luz do dia não poderia os alcançar, ferir seus corpos sobrenaturais, imortais. E não foram os únicos, pois naquela manhã quando  “O OLHO QUE TUDO VÊ” foi coberto por um manto de veludo o que havia dentro da mansão era uma onda de desejo, paixão, e amor que não poderia ser ignorada por nenhum dos membros daquele estranho, porém, simpático grupo.

 Fim

:: Postado por Nazarethe Fonseca �s 15h54
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ankh

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Nazarethe Fonseca
Sou uma mulher, pois, assim o divino me destinou a ser. Estou em constante mudança, evolução e até mesmo sujeita a retroceder. Pois nesse corpo bate um coração, nessas veias corre sangue. E como um animal “consciente, falante, civilizado”, posso incorrer a enganos, atos impensados. Não me limitarei a dá qualidades, pois talvez somente eu as perceba. Citarei que acho mais obvio em minha natureza humana, feminina. Tento sempre ser positiva, otimista, sem parece hipócrita, amiga, segura, forte, persistente, grata, consciente, tolerante, paciente, sagaz, ter um propósito, ser movida pela fé, pela idéia de que a nossa volta existe algo mais que o vazio, o silencio ensurdecedor. Talvez isso não seja tudo, mas certamente é o que me ocorre a essa altura da vida. Pois nada pode ser perpetuo quando somos mortais.



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