ADÁGIO

por

Nazarethe Fonseca

 

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            Precisava desesperadamente ir além da observação mórbida de observá-lo à distância, sondar as expressões de sua face imortal como se fosse uma obra maldita, proibida. Que se observa em meio à culpa e a excitação. Necessito desesperadamente deixar que meu olhar te beije, que meus cílios acariciem a tez delicada, alvacenta.

O que há em seu porte para que evoque meu desejo com tamanha força? Sim, como alcançou a qualidade de semideus aos meus olhos pagãos?

Delirar tornou-se meu estado mais lúcido de pensamento, enquanto fantasio nosso encontro.Aqui inebriada com tua presença sondo a linha do queixo, os caminhos ao paraíso que chama de lábios. Sim! Afundarei-me neles como espada lançada ao lago! E invejo todos que odeia, pois deles bebe com ânsia e sofreguidão. Perdoa-me, por vigiar teus passos pelo mundo, os corpos que deixa noite após noites, sou tua sombra. Fiz pacto sinistro com Apolo para a ti pertencer, mesmo que fosse em forma de sombra pálida, e por mais diversa que ela se pareça do teu corpo masculino, forte, de mim não fugira, te assombro e sigo, sempre aos teus pés, submissa, intocada.

Sabe o quê te peço?

Pouco, meu amado, um beijo, o fim deste amor que consome meus dias e noites, minha alma! No meu peito há um vazio enorme, nele habitava meu coração, mas o dei a te. Sei que o carrega consigo ainda sangrento, que o fura com agulhas envenenadas com desprezo e sarcasmo. E mesmo que ansiasse tratá-lo com amabilidade e doçura, bem sei que tua natureza assassina não te permitiria mais que leva-lo aos lábios para devorar pouco a pouco.

Mate-me, pois já não suporto tua indiferença. Sou a única mulher que não te teme nesse mundo, e isso se tornou minha sentença. Não me repudie por amar-te, o que sinto, é o mais puro dos sentimentos, dou-te ele em taça cheia, ó morte apaixonante.

O teu equivoco é imaginar que não me atemorizo a tua presença e toque. Eu poderia correr, fugir e lutar, mas não tenho ânimo, por isso permaneço imóvel, desdenhosa, altiva. Todavia se ousasse tocar meu corpo conheceria meu terror, sentiria o tremor, o sangue correndo agitado nas veias...estende a mão máscula me toca deus da morte. Leva-me dentro de tua pupila luminosa, na tua língua, deixa-me permanecer em teu paladar como vinho de boa safra e buquê. Arrasta-me para teu leito onde a noite é um dia mais precioso.  Não me importarei com teus gestos brutos de impaciência, nem mesmo quando a túnica cair despindo-me diante de seus olhos chamejantes.

Sou mera esfinge debaixo de teus dedos gelados, exploradores. E se ordenar fecharei meus olhos, de certo, teme que veja teu olhar demoníaco me desejar enormemente. Meu corpo pulsar sob tua língua e lábios, as velas a nossa volta choram amargas, amortalhadas, ela predizem meu fim. Murmuro meu pesar, minhas culpas, meu amor, mas nada o detém, sou um feixe que carrega nos braços sem esforço. Meus cabelos mero cabresto diante de um cavaleiro tão audaz. Sinto-me diminuta e grandiosa, à vela e o barco, o vento e a calmaria. E a música que nos conduz é teu sussurro faminto.  Sou um violino a solfejar sob a força do arco, e meus sussurros mero adágio. E diante de minha rendição só haverá tuas mãos geladas para me conduzir no vale da morte, o teu peito mudo será meu sepulcro, as presas assassinas a arma letal, este desfalecimento que mais parece conseqüência de vinho forte, sufoca-me, traz-me gozo, lassidão.

__Embebeda-me frágil criatura, entrega-me teu coração e te farei imortal.

__Mata-me meu príncipe, meu vampiro...

 

:: Postado por Nazarethe Fonseca �s 00h05
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Nazarethe Fonseca
Sou uma mulher, pois, assim o divino me destinou a ser. Estou em constante mudança, evolução e até mesmo sujeita a retroceder. Pois nesse corpo bate um coração, nessas veias corre sangue. E como um animal “consciente, falante, civilizado”, posso incorrer a enganos, atos impensados. Não me limitarei a dá qualidades, pois talvez somente eu as perceba. Citarei que acho mais obvio em minha natureza humana, feminina. Tento sempre ser positiva, otimista, sem parece hipócrita, amiga, segura, forte, persistente, grata, consciente, tolerante, paciente, sagaz, ter um propósito, ser movida pela fé, pela idéia de que a nossa volta existe algo mais que o vazio, o silencio ensurdecedor. Talvez isso não seja tudo, mas certamente é o que me ocorre a essa altura da vida. Pois nada pode ser perpetuo quando somos mortais.



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