SANGUE DE INOCENTE

                                                      por

Nazarethe Fonseca

 

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                         Durval levantou a cabeça e fitou a porta da sala de interrogatório. O trinco moveu-se e logo. Monteiro entrou no ambiente pouco iluminado e um tanto abafado.O ar condicionado tava desligado, aquilo ajudava durante os interrogatórios, deixava-os nervosos, aborrecidos, com vontade de dizer a verdade.Todavia, Monteiro estava encontrando uma certa dificuldade em convencer Durval a falar. Ele era "difícil" e estava agüentando bem as porradas. Monteiro de vez em quando descia a mão em alguns, principalmente se a palavra "trafico de drogas" estivesse  no assunto. Ele caçava traficantes como  um gato caça o rato. Gostava do que fazia, escolheu a delegacia de Narcóticos para trabalhar.Dedicar-se, e muitos traficantes já haviam caído em suas mãos. Mas Monteiro tinha vinte anos de Narcóticos, conhecia bem aquele, mundo de pó e violência.Já havia sofrido varias ameaças de morte, cinco ciladas, vários tiros, ele era um sobrevivente, mas em todos estes anos, somente hoje teve vontade de deixar aquele trabalho.Algo o havia chocado, era a historia de Durval.

                    O havia interrogado durante toda à noite, bateu forte e exigiu dele a verdade, mas nada obteve. E olhar para ele aquela manha custou-lhe muito.Mas precisar seguir adiante, era o seu trabalho. Olhou o jornal que trazia nas mãos pela ultima vez e sentou na cadeira na frente de Durval. O homem de trinta e poucos anos tinha o rosto inchado, os lábios cortados e certamente não estava conseguindo ficar de pé graças as pancadas que levou nas pernas. É, ele tirou sua paciência, seu silencio e as poucas coisas que falou irritaram profundamente Monteiro.

                    __Esta pronta para cantar "passarinho"?Onde esta Marcelão.__Monteiro perguntou friamente.

                    __Eu não sei.

                    __Pare de repetir esta merda para mim. Estou cheio!Sua fidelidade tem um bom preço, não? O que quer garantias? Segurança?!Trabalha para ele, mantém o cassino dele funcionando, os seus computadores.O sistema de vigilância. Cante!

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                    Durval levantou com dificuldade e foi para a parede dos fundos da sala e lá ficou na posição. Estava pronto para apanhar novamente.Ele não era um homem de muitos princípios, todavia sabia ser grato. Durval devia muito a Marcelão, ele salvou sua vida por duas vezes, deu abrigo, arranjou-lhe trabalho, depositou nele confiança e muitos dos seus negócios passavam por suas mãos. Durval era testa de ferro de Marcelão. Um cargo de extrema confiança.Mas Durval jamais questionou Marcelão, e nunca quis saber além do que era dito. Mas quando foi preso, sem um motivo lógico e pressionado percebeu onde havia se metido.Entretanto agüentou o interrogatório sem nada revelar.Marcelão lhe conseguiu um advogado e logo ele estava livre. Mas as prisões se repetiram e logo Durval queria deixar de comandar os negócios do "amigo". Marcelão insistiu e Durval ficou e por mais uma vez jurou-lhe fidelidade, amizade e gratidão.  A lei da favela, a lei do trafico exigia obediência cega. Nunca passou pela cabeça de Durval trair o amigo, afinal cresceram juntos, mas o tempo e o destino os separaram. Fez Durval um simples contador e de Marcelo, “O Marcelão”, o rei do trafico na Rocinha.Durval sabia das mortes, dos policiais na lista de pagamento de Marcelão, mas nada daquilo lhe interessava. Mas com a chegada de Rosa em sua vida, tudo mudou. Agora tinha medo de não sair da sala de interrogatório, de ser preso, de ficar longe de seu amor. Enquanto, apanhava, lembrava de seus carinhos, aquilo o mantinha calado, se falasse, não haveria lugar seguro para os dois.Não apanhava por Marcelão, apanhava por Rosa. Enquanto se mantivesse calado estava tudo bem.

                     Monteiro chutou a cadeira e foi até ele, que estava indiferente aquele acesso de fúria.

                    __Toma Durval.__Monteiro falou, lhe passando o jornal da manhã.__Eu sinto muito.

                    Durval o olhou com desconfiança e recebeu o jornal, abriu e não demorou muito para ver as manchetes.Cansado e provavelmente sem conseguir suportar o choque o pobre homem veio ao chão, caiu de joelhos e leu o seu terrível presente, na primeira página do jornal.

                   "Encontrada morta namorada do traficante Marcelão"

                     A foto era encantadora.A jovem sorria para a vida. O vestido deixava ver seu colo atraente e o busto pequeno. Ainda guardava a beleza de uma menina naquele olhar tão negro. Os detalhes de sua morte estavam descritos de forma chocante pelo jornal. Durval lia e chorava, sua namorada havia sido brutalmente morta.Ele descobriu que iria ser pai e da pior forma.

                    Monteiro o arrastou do chão e levou até a cadeira. E perguntou suavemente:

                    __Onde ele esta Durval?

                    Durval sorriu amargo e falou com a voz carregada de certeza e dor:

                    __Marcelo disse-me uma vez que nunca me perdoaria se eu o traísse.Jurei fidelidade a ele.Jurei proteger seus negócios, seus segredos.Mas o trai da maneira mais baixa e vil, eu roubei sua namorada, Rosa.

                    __Homem ele matou a mulher que amava! O que importa se era dele e depois foi sua! Ele a matou para lhe atingir...

                   __Este é o fim de quem trai o Marcelão.

 

:: Postado por Nazarethe Fonseca �s 00h49
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Nazarethe Fonseca
Sou uma mulher, pois, assim o divino me destinou a ser. Estou em constante mudança, evolução e até mesmo sujeita a retroceder. Pois nesse corpo bate um coração, nessas veias corre sangue. E como um animal “consciente, falante, civilizado”, posso incorrer a enganos, atos impensados. Não me limitarei a dá qualidades, pois talvez somente eu as perceba. Citarei que acho mais obvio em minha natureza humana, feminina. Tento sempre ser positiva, otimista, sem parece hipócrita, amiga, segura, forte, persistente, grata, consciente, tolerante, paciente, sagaz, ter um propósito, ser movida pela fé, pela idéia de que a nossa volta existe algo mais que o vazio, o silencio ensurdecedor. Talvez isso não seja tudo, mas certamente é o que me ocorre a essa altura da vida. Pois nada pode ser perpetuo quando somos mortais.



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